top of page
Nova Logo Auto Advisor Vetorizada.png

O papel perverso da quilometragem no mercado dos carros

  • Foto do escritor: Arthur Pfann
    Arthur Pfann
  • 15 de jun.
  • 5 min de leitura
Velocimetro adulterado

Um Paradoxo Perverso


Sem sombra de dúvidas, o maior paradoxo que vejo no mercado de carros é relacionado à quilometragem.


Se tem uma lei que é quase infalível, é a lei de Gerson – calma, ela não consta em nenhum dos nossos códigos de processo ou constituição – mas foi batizada de tal maneira por conta de uma propaganda dos anos 70, em que o jogador Gerson apontava seu anseio por tirar vantagem em uma compra. Querer vantagem não é defeito ou crime, mas certamente demonstra um ímpeto humano de achar que só a própria mãe fez filho esperto, e que, não interessa o fato de poder fazer mal ao outro, contando que você obtenha alguma vantagem.


E isso é algo que vejo muito no mercado dos carros. Sempre (ou quase sempre), o cliente quer o carro com a menor quilometragem possível, de preferência pagando menos que a média de mercado. Mas o carro dele, com quilometragem alta, tem que performar acima da média na venda, como se somente ele tivesse percebido que a compra do carro com menor quilometragem é mais vantajosa, e que, os meros mortais não têm esse senso de vantagem na compra, absorvendo qualquer “gordura” que ele tenha a oferecer.


Acontece que a vida real não é um morango, e não somente você vai procurar menos quilometragem pelo mesmo dinheiro. E, conhecendo bem de carros, vejo que isso criou não somente uma distorção, mas também um estigma, e, em alguns nichos de carro, o fato de usar o bem que você comprou faz ele ser praticamente ostracizado, em termos práticos, essa questão gerou verdadeira histeria, especialmente nos nichos de carros mais especiais.

 

Mas na vida real, o que é uma quilometragem baixa ou alta?


Painel de carro à noite, com velocímetro e conta-giros iluminados; mostra D, 0 km/h, 138 km de autonomia e 21°C.

Em carros de maior volume e perfil de uso mais intenso, rodar entre 10 e 20 mil quilômetros por ano não é considerado excesso, mas ainda assim, existe uma “cerca imaginária” nos 100.000 km, em que parece que o carro simplesmente ficou “usado demais”. Para carros premium mais normais, de 10 a 15 mil quilômetros anuais ainda são vistos como normais, mas da mesma forma, depois dos 50 – 60 mil quilômetros, o carro começa a ser menos bem visto. Para carros esportivos, a linha de corte é ainda mais baixa, de 5 a 6 mil quilômetros anuais já podem significar um relevante ônus.


Tecnicamente falando, há uma distorção bastante grande nisso. Os componentes mecânicos são projetados para durar NO MÍNIMO 250 mil quilômetros, seguindo o roteiro de manutenções. Aliás, outro erro que foi incorporado aos carros, medir o uso por quilômetros. Motores, câmbios, diferenciais, periféricos não são pensados em quilômetros, mas sim, em horas. Um óleo de motor é feito para durar, por exemplo, 250 a 300 horas, portanto, seu intervalo de troca, assume que você ande em média entre 30 e 40 quilômetros por hora. Logo, um carro que anda constantemente em estrada, com média hipotética de 70 km/h, teria aos 100.000 km, 1.428 horas de motor. Um carro semelhante, que ande constantemente engarrafado em São Paulo, a uma média teórica de 20 km/h teria 28.560 km rodados.


Veja, ambos os carros foram usados pelo exato mesmo tempo, e, ironicamente, o menos rodado tende a ter maior desgaste de componentes de motor e câmbio, vez que ele fica muito mais tempo em marcha lenta (que é um cenário ruim para o motor), tem pior dissipação de calor (sem vento na cara) e tem um regime de carga muito menos constante (anda e para).


Mas no mercado, isso é ignorado. O número no painel ainda fala muito alto.


O carro muito rodado perfeito é praticamente uma lenda


Toda mãe acha (ou pelo menos diz achar) o filho bonito, mesmo que ele seja horrível, e, não é incomum na Internet ver pessoas falando de carros rodados muito inteiros. Na vida real, é dificílimo encontrar.


É complicado, vivemos em um país com vias ruins, mão de obra pouco qualificada e população com uma cultura um pouco complicada.


Para muitos, o auge da mauntenção é trocar óleo e filtro de óleo dentro da quilometragem ou tempo estabelecidos. E não é bem assim. Um carro não é só motor. A troca de óleo respeitando o prazo é o MÍNIMO a ser feito, mas câmbio e diferencial também são lubrificados, obviamente, por serem expostos a menos calor e contato com contaminantes, suas trocas ocorrem de cada 4 a 10 trocas de óleo de motor. Outros fluídos também degradam por ação do tempo, e devem ser periodicamente substituídos. Velas, correias, tudo tem um prazo de substituição. Combustível utilizado também pode alterar significativamente a saúde do carro. Além desses aspectos de powertrain, o carro tem freios, suspensão, lataria, interior, e todos estão sujeitos a desgaste.


BMW em um elevador na oficina mecânica para a manutenção preventiva

Sendo assim, raros os casos em que o usuário dê esta atenção para tudo isso, o que leva à maioria dos carros a chegar muito “cansados” em quilometragens mais altas, e, obviamente os carros que são exceção, tendem a ser interessantíssimos.


A perversão máxima: Invente uma demanda irreal e receba uma picaretagem


A obsessão por quilometragem instituiu, não só no Brasil, a coisa mais perversa: O consumidor quer um carro menos rodado, e não existe para oferecer… oras, então agora vai existir, mesmo que “de mentirinha”. A famosa adulteração. Nos painéis mais analógicos, virava-se o odômetro ao contrário. Nos digitais, manipulação eletrônica, ou até mesmo dispositivos para burlar a contagem. Tudo isso é crime, mas a dificuldade em provar quem fez e como fez, gera a impunidade, trazendo lucros para criminosos inescrupulosos.


Qual a orientação da Auto Advisor para isso?


Aqui na Auto Advisor entendemos que sozinhos não conseguimos mudar todo um sistema. Nas buscas para nossos clientes, entendemos o que cabe no orçamento e buscamos entregar a maior qualidade pelo dinheiro colocado.


Em linhas gerais, procuramos carros que não sejam muito rodados (pela probabilidade matemática de estarem menos desgastados), mas, em alguns casos específicos, ao encontrar um carro que seja um pouco mais rodado, esteja excepcionalmente bem mantido e o preço justifique, consideramos a opção – sempre levando em conta os aspectos comerciais, técnicos e de uso, para não comprar problemas para nosso cliente.


Na venda, somos criteriosos, trabalhamos somente o carro que esteja em bom estado, com manutenção comprovada (independente da quilometragem), e, em casos de quilometragens pouco comerciais, com o carro seja efetivamente bom, fazemos um trabalho focado, respeitando a qualidade do bem, mas compensando o “penalty” comercial com uma precificação justa, mas agressiva.


Carros que não atendam ao padrão, trabalhamos na modalidade de repasse, para viabilizar o negócio.

 

No próximo texto, contaremos um pouco de como fazemos evitar as ciladas de adulteração.



Comentários


bottom of page