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BYD Song Pro 2027 vale a pena? Painel solar é legal, mas e na hora de vender?

Foto do escritor: José  Gabriel - PistãoWEB
José Gabriel - PistãoWEB
31 de ago.
5 min de leitura

A BYD encontrou uma maneira bastante interessante de chamar atenção para o novo Song Pro 2027: quem compra o SUV híbrido plug-in flex pode aproveitar uma condição especial para instalar um sistema de geração de energia solar em casa.


São oito painéis solares, instalação incluída e possibilidade de financiamento em 36 parcelas de R$ 512.


Painel solar no telhado, híbrido plug-in flex na garagem, possibilidade de rodar no modo elétrico durante boa parte da rotina e etanol ou gasolina quando precisar viajar.


A proposta é boa. Muito boa, aliás.


Mas carro não é smartphone.


Para saber se o BYD Song Pro 2027 vale a pena, precisamos olhar além da lista de equipamentos e da economia prometida no abastecimento.


Quem coloca perto de R$ 200 mil em um carro deveria pensar também no que acontece depois: confiabilidade, manutenção, desvalorização e, principalmente, como o mercado vai receber esse carro quando chegar a hora de vendê-lo.


E é justamente aí que nossa empolgação diminui um pouco.


Novo BYD Song Pro 2027

O que mudou no BYD Song Pro 2027?


O novo Song Pro utiliza a quinta geração do sistema híbrido plug-in DM-i da BYD e traz uma novidade particularmente interessante para o mercado brasileiro: agora o motor 1.5 também pode trabalhar com etanol.


Na prática, temos três possibilidades de energia no mesmo carro: eletricidade, gasolina e etanol.


A versão GL oferece até 57 km de autonomia exclusivamente elétrica pelo padrão PBEV, enquanto a GS chega a 72 km.


Com bateria carregada e gasolina, a autonomia combinada declarada pela fabricante chega a 1.075 km na GL e 1.105 km na GS. Com etanol, são até 775 km e 805 km, respectivamente.


Para muita gente, portanto, existe a possibilidade real de realizar os deslocamentos cotidianos praticamente sem ligar o motor a combustão e ainda ter a liberdade de simplesmente parar em um posto durante uma viagem.


Nesse aspecto, a proposta do híbrido plug-in faz bastante sentido para a realidade brasileira.


E os famosos painéis solares?


Aqui precisamos esclarecer uma coisa.


Os painéis solares não vêm com o carro.


A BYD está oferecendo uma condição comercial para compradores do Song Pro Flex adquirirem também um sistema fotovoltaico residencial.


O pacote custa R$ 18.438 e inclui oito painéis solares, além da instalação. Para compradores do Song Pro, existe a possibilidade de financiamento em 36 parcelas de R$ 512.


casa com painéis solares da BYD

Segundo a proposta apresentada pela fabricante, o sistema pode atender uma residência com consumo mensal de até 600 kWh e também gerar energia para a recarga do veículo.


E aqui a proposta fica realmente interessante: quem tem uma rotina compatível com a autonomia elétrica do Song Pro e consegue recarregar o carro em casa pode utilizar a própria geração solar para reduzir ainda mais o custo de uso no dia a dia.


Na prática, a BYD não está vendendo apenas o argumento de um carro mais econômico. Está tentando colocar na mesma conta mobilidade eletrificada e geração própria de energia — uma combinação bastante inteligente do ponto de vista comercial.


Então o BYD Song Pro 2027 é um bom carro?


No papel, há muitos argumentos a favor.


O Song Pro oferece bom espaço interno, bastante tecnologia, conjunto híbrido eficiente e uma proposta mecânica que resolve um dos principais receios associados aos carros totalmente elétricos: depender exclusivamente da bateria e da infraestrutura de recarga.


A própria garantia também é relevante. A BYD informa atualmente seis anos ou 200 mil quilômetros para o veículo e oito anos ou 200 mil quilômetros para a bateria Blade.


Portanto, não estamos dizendo que o Song Pro é ruim.


Muito pelo contrário.


O que ainda não sabemos é se ele será uma boa compra quando analisado ao longo do tempo.


E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.


Ilustração daTecnologia Super Híbrida com bateria de última geração Blade do BYD Song Pro 2027
Ilustração daTecnologia Super Híbrida com bateria de última geração Blade

O problema que a ficha técnica não consegue responder


Quando avaliamos um carro para compra, potência, autonomia, equipamentos e consumo são apenas parte da equação.


Queremos saber também como aquele carro envelhece.


Como estará um Song Pro com 100 mil quilômetros?


Como estarão bateria, eletrônica e conjunto híbrido depois de oito ou dez anos?


Qual será o custo de determinados reparos fora da garantia?


Existirá boa disponibilidade de peças?


Quanto um proprietário perderá quando decidir vender?


E talvez a pergunta mais importante:

haverá compradores querendo esse carro usado?


Hoje ainda não temos respostas suficientemente maduras para algumas dessas perguntas.


Não porque exista necessariamente algum problema com o carro, mas simplesmente porque o tempo ainda não passou.


“Mas a BYD já vende muito no Brasil”


Sem dúvida. E isso precisa ser levado em consideração.


A BYD deixou há bastante tempo de ser uma fabricante desconhecida tentando convencer brasileiros a experimentar um carro chinês. A marca ganhou participação, ampliou sua rede e passou a produzir veículos no Brasil.


Isso reduz algumas das incertezas que existiam quando os primeiros carros da fabricante chegaram por aqui.


Mas volume de vendas de carros novos e comportamento do mercado de usados são duas coisas diferentes.


É relativamente fácil descobrir quanto custa comprar um Song Pro novo.


Mais difícil é prever quanto alguém estará disposto a pagar pelo seu daqui a cinco anos.



E aqui está nossa maior ressalva com os eletrificados


Na Auto Advisor, ainda somos cautelosos ao recomendar veículos elétricos e algumas tecnologias de eletrificação para clientes.


Não por rejeição à tecnologia, muito menos porque “carro bom tem que ter motor a combustão”.


A questão é outra...


Ainda estamos construindo o histórico desses carros no mercado brasileiro.


Confiabilidade de longo prazo, custo de reparação, comportamento das baterias, disponibilidade de componentes, desvalorização e liquidez precisam ser observados durante anos.


Quem compra um carro tradicional com conjunto mecânico amplamente conhecido normalmente possui décadas de histórico disponíveis para analisar.


Em tecnologias recentes, parte dessa resposta ainda está sendo escrita.


E alguém precisa ser o primeiro proprietário.


O híbrido plug-in pode ser justamente o meio-termo?


Aqui o Song Pro fica particularmente interessante.


Se hoje tivéssemos que escolher entre um elétrico puro e um híbrido plug-in para determinados perfis de cliente, a segunda opção pode fazer mais sentido.


É possível aproveitar o motor elétrico nos pequenos deslocamentos sem depender exclusivamente de carregadores em viagens.


No caso do Song Pro Flex, ainda existe a possibilidade de escolher entre gasolina e etanol.


É uma solução bastante inteligente para um país continental como o Brasil.


Por outro lado, existe outra maneira de olhar para a mesma engenharia: agora temos bateria, motor elétrico, eletrônica de potência e motor a combustão convivendo no mesmo automóvel.


Tecnologia é fantástica quando funciona. Quando deixa de funcionar fora da garantia, descobrimos o preço dela.

E justamente por ainda não termos uma frota suficientemente envelhecida dessa nova geração, é cedo para tirar conclusões definitivas.



Afinal, BYD Song Pro 2027 vale a pena?


Depende do perfil de quem está comprando.


Para quem pretende ficar alguns anos com o carro, consegue carregar em casa, valoriza tecnologia e aceita assumir alguma incerteza sobre o comportamento futuro do mercado, o BYD Song Pro 2027 é um produto bastante interessante.


O novo sistema flex torna a proposta ainda mais adequada ao Brasil.


Mas se a prioridade for previsibilidade de desvalorização, alta liquidez na revenda e um histórico de confiabilidade consolidado durante muitos anos, nossa análise seria mais cautelosa.


O ponto não é afirmar que o Song Pro terá problemas.


É justamente reconhecer que ainda não sabemos.


E quando assessoramos alguém colocando R$ 180 mil, R$ 200 mil ou muito mais em um automóvel, “provavelmente vai dar tudo certo” não é exatamente o critério que gostamos de utilizar.



Antes de comprar tecnologia, compre o carro certo


O BYD Song Pro 2027 mostra o quanto o mercado automotivo está mudando rápido.

Híbrido plug-in, flex, bateria Blade, atualizações remotas, possibilidade de integrar a recarga à geração solar residencial...


Há poucos anos tudo isso pareceria coisa de protótipo.


Hoje está na concessionária, e gostamos disso.


Só não podemos confundir novidade tecnológica com decisão financeira automaticamente inteligente.


Na Auto Advisor, nossa função não é convencer você a comprar determinado carro — e muito menos impedir que compre.


É analisar se aquele veículo, naquele preço e para o seu perfil de uso, realmente faz sentido.


Porque um carro pode ser excelente, mas a compra precisa ser boa.



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