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Gasolina com 32% de Etanol. Você deveria mesmo estar preocupado?

  • Foto do escritor: Arthur Pfann
    Arthur Pfann
  • 25 de jul.
  • 2 min de leitura

Sempre que há alteração nos mandatos vigentes de combustíveis, a histeria toma conta das discussões.


Em quase todo o mundo, a gasolina tem adição de etanol como antidetonante (desde que foi proibida a adição de chumbo).


Na maioria dos países, a adição fica entre 5 e 15%, especialmente Europa e Estados Unidos. Entretanto.


Atualmente, o Brasil lidera a proporção, com aprovação recente de 32% na gasolina comum e 25% na Premium.


Descubra como a gasolina com 32% de etanol afeta consumo, desempenho e componentes do veículo, além dos cuidados com carros flex, antigos e importados.

O que isso afeta?


Sob o ponto de vista de consumo (e vazão necessária), a matemática não deixa mentir. A razão ar-combustível da gasolina é de 14:1, enquanto do etanol é de 10:1. Isso impacta diretamente em consumo e vazão necessária de bicos.


A conversão de eficiência é a seguinte, usando gasolina pura como benchmark:

Combustível

Razão

Consumo e vazão adicionais

Gasolina pura

1:14

-

Etanol

1:10

40%

E27

1:12,82

9,2%

E30

1:12,55

11,5%

E32

1:12,46

12,3%


Os impactos em consumo serão sutis (3 p.p.), isto é, o carro que fazia 10 km/L, fará 9,7.


E para bicos, bombas e demais componentes?


O maior ponto de crítica reside nesse ponto, vez que o etanol é acusado de acelerar muito o desgaste dos componentes de injeção.


E não é mentira.

O uso de etanol acelera o desgaste de bicos, bombas e demais componentes do sistema de combustível, por sua menor lubricidade e esforço adicional exigido. Mas o principal culpado pelo desgaste não é o etanol, é a água.


O etanol de bomba é o hidratado (entre 5 e 7,5% de água), e esse teor de água é responsável por boa parte dos danos.


O etanol adicionado à gasolina é anidro (menos de 1% de água), portanto, boa parte dos problemas são mitigados.


Conclusão


Para carros flex, tirando a perda em consumo, não devem ter desgaste muito acelerado.


Carros somente à gasolina mais modernos não devem sofrer tanto, vez que seus sistemas possuem capacidade e margens para trabalhar com o aumento. Já antigos, que já estavam no limite com 27%, devem sofrer mais e podem pedir ajustes e adaptações.


No caso de veículos importados, especialmente de alta performance, sua escolha já deveria ser a gasolina premium (com 25% de etanol) desde sempre.


Cuidado com a histeria causada por quem não entende do tema.



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